sábado, 7 de novembro de 2009

PostHeaderIcon Uma situação verdadeira


Sempre que podia ela visitva os dois idosos. Passava pela casa deles e lhes fazia companhia, conversava os assuntos deles, respondia-lhes as questões.

Eventualmente jantava com eles.

Sentia-se bem naquele casarão, muito embora, por estar sempre fechado, acabou por ter um cheiro característico e nada agradável.

Conversava com ela como se fosse sua mãe. Certa vez pediu conselho e recebeu e usou daquelas palavras ditas por pessoa vivida.

Eles ligavam para ela a qualquer hora para questões de somenos importância e ela atenta, respondia, em troca do carinho e da possibilidade de estar perto, pois, desenvolvera carinho verdadeiro pelos idosos.

Essa relação durou muitos anos. Ela ajudou a resolver os problemas com o motorista que ameaçou mandar bandidos sequestrarem as netas do casal se fosse despedido; os problemas da arrumadeira que separou-se do marido de quem apanhava; da cozinheira que fugiu sem dar noticias e depois voltou grávida e assim por diante. Orientava a mulher que tomava as providências. Jamais se envolveu com os empregados pessoalmente.

Sentia que tinha conquistado amigos de verdade e dedicava muitas de suas horas de laser a eles, até o dia em que precisou ir até lá, a pedido do idoso e estava sem carro. Pediu para que o motorista da familia a apanhasse e devolvesse à casa, no que foi prontamente atendida.

- Moisés, por favor, ponha o carro mais para frente. Aqui tem um buraco e está cheio de água e não tenho como entrar no carro.

O motorista já cometera a indelizadeza de abrir a porta do carro sem descer dele, como lhe competia, resmungou para movimentar o veículo e o tirar a poça dágua.

Ela estranhou, tentou ser simpática e só recebeu descaso. Na entrada da residência daqueles amigos, o motorista cometeu outra indelicadeza, pois, abriu a porta do carro e ao mesmo tempo o portão para ela entrasse.

Por fim, ela acomodou-se com os amigos e passou a lhes dar as informações solicitadas. Explicou pela milésima vez os mesmos temas. Ouviu pela milésima vez as mesmas questões, pois, ele está muito doente, com dores fortes e medicamento controlados.

No curso da conversa, a filha do casal chegou e mal a cumprimentou. Sentou-se ao lado do Pai e retirou de uma sacola um panetone e uma caixa de bombons.

- Pai, você ainda não tomou o lanche não é? Já falei para me esperar que eu venho e trago coisinhas que eu sei que você gosta...

Em questão se seguntos, levantou-se e avisou que iria mexer nuns papéis na outra sala. A Mãe a seguiu.

Ela estranhou o comportamento e entendeu que a Mãe dera sinal para a filha sair e não tocar no assunto do lanche. Era coisa de familia e ela não era da familia.

Eis que o idoso lhe pergunta quanto estava devendo por todas aquelas explicações e detalhes ...

Dever? Ela não cobraria nada! Não se cobra quando há carinho e dedicação para amigos especiais ...

A ficha caiu naquele instante. Amigos? Nunca o foram e a maior demonstração está no comportamento do motorista que, só trataria com descaso pessoa que fosse desprezada pelos patrões. No mínimo esse motorista ouviu comentários feitos pelos patrões e sentiu-se no direito de tratá-la como aqueles não o faziam por interesse.

Ela cobrou e pediu que o cheque fosse entregue na hora. Recebeu e mudou até o tom de voz para despedir-se. Sentou-se no carro como se rainha fosse e mandou no motorista com voz firme e resoluta.

Está triste, contudo, pois acreditou que tivesse conquistado amigos e verificou que sempre foi usada e desprezada.

Elza

5 comentários:

Rosamaria disse...

Elzinha, que história é esta? Invenção tua ou é verídico? Infelizmente isso pode acontecer.

Nem imaginas a falta que estás fazendo lá no grupo!

Bjim, cosquirídia.

Blog do Beagle disse...

Rosinha, é verdadeira essa situação. Bjkªssssssss Elza

Anunciação disse...

Que coisa triste...por isso tem gente que perde completamente a fé no ser humano.

Blog do Beagle disse...

Anunci, muito triste, sim. Desanimador, se quer saber. Bjkª. Elza

dudv disse...

Que triste.

Postar um comentário