terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

PostHeaderIcon Situação surreal



- Por favor, quando chegar esse sapato em pelica marrom pode me ligar que venho busca um par.
- Tá bom, já anotei seu telefone. Ligarei.

Findo o diálogo, ela se foi com o novo sapato para casa, feliz da vida. Boa compra, sapato confortável, preço acessível, gente simpática.

- Olhe, desculpe ligar, assim. Aqui é a Heloisa da loja de calçados.
- Aconteceu alguma coisa?
- É que eu estava olhando o seu nome e ... me diga, você é filha de ........... ?
- Sou, sim.
- Nós somos primas! Eu sou Heloisa, filha da Gilda e neta da Joaninha.
- A Tia Joaninha era irmã da minha avó Concetta, respondi eu, surpresa e feliz.


Na verdade não somos nem parentes, mas temos a bisavó italiana em comum, pois, nossas avós eram irmãs.


Houve troca de informações e uma verdadeira festa de emoções pelo encontro de um elo dessa intrincada vida que separa as pessoas e as aproxima de forma inusitada.


Quem é vivo e quem já se foi. Quem é irmão de quem. Quantos anos tem esse? Quantos filhos deixou?


Heloisa é mais velha do que eu quase 10 anos e conheceu os antigos. Conheceu os tios-avós e todos os primos diretos. Conviveu com os primos de sua Mãe, inclusive com o meu Pai e conheceu minha Mãe.

Citou nomes que ouvi a vida inteira e não sei quem é. Referiu-se à irmã dela que já se foi e contou de uma tia que está com mais de 90 anos e lúcida, em Campinas. Contei de outra que se foi aos 90, como um passarinho. Contei que revi meus primos irmãos e um primo do meu Pai nesses últimos 15 dias...

Para quem não tinha familia e se sentia só, estou me saindo uma bela garimpeira, não? Esse fato é real e aconteceu comigo, hoje à tarde! Essa que encontrei é prima de meu Pai, pelo lado da mãe dele.

Ainda estou atordoada e nem sei se fui clara na narrativa.

Apesar disso, deixo a bjkª de sempre. Elza
sábado, 23 de fevereiro de 2008

PostHeaderIcon Para JF

Minha Mãe era linda, não era?
Cabelos escuros, lisos e curtos, impecavelmente arrumados, alta, elegante, andava muito bem trajada. Gostava de maquiagem leve e baton marcante. Sempre encarapitada em saltos altos, mas não exageradamente altos, poucas vezes a vi de calças compridas. Discreta nas cores e nos modos, eu diria que foi uma lady.

Era contida nas demonstrações de afeto, não pronunciava uma palavrão e execrava gíria.

Aprendeu a dirigir com o Seu Galdino, que era funcionário do meu Pai lá na Delegacia de Policia, quando eu era menina de uns 8 anos de idade. Ela fez questão que ele a ensinasse a abrir a porta do carro, como se ela nunca tivesse visto um carro na vida. Depois, exigiu que ele mostrasse como se dava na partida, embora ela soubesse manobrar o carro na garagem e dirigisse nas estradas, mesmo sem carteira. Uma piada, mas lá foram eles pelas ruas de São Paulo, não sei por quanto tempo.

Ela não foi grande motorista, mas, jamais bateu o carro. Era do tipo que atrapalhava o trânsito e deixava o motorista atras dela, desnorteado. Gostava de velocidade. Tinha o pé pesado para acelerar e para frear, na mesma proporção. Dirigiu até seus 80 anos, já sem carteira de habilitação, "para não perder um compromisso", pois o motorista estava atrasado.

Cá entre nós, eu sempre tive pavor de andar com ela dirigindo.

Durante alguns anos nós tivemos uma cachorrinha pinsher, marrom e linda de morrer, chamada Vickie e minha Mãe adorava sair com ela no colo, dirigindo, é claro. Naquela época ela tinha um Gol prata, novinho.

Domingo, enquanto meu Pai estava no clube, ela saia com a cadela.

Naquele domingo em especial, ela estacionou o carro na Al. Lorena quase esquina da Rua Augusta e foi passear com a Vickie na feira livre. Comprou algumas coisinhas, mas nada grandioso. Ficou se encantando com as lojas daquela região, subiu e desceu a Augusta olhando as vitrines e passeando a cachorra.

Perdeu a noção do tempo e esqueceu-se onde deixara o carro, muito embora se lembrasse, "por alto", como ela dizia, em qual das ruas estacionara.

Cansada, entrou na Alameda Lorena, viu o carro, sacou da chave, abriu a porta e entrou. Achou que o interior estava diferente, o banco não era confortável, mas colocou a chave na ignição e deu na partida.

O alarme disparou.

Ela mais do que depressa desligou o carro, retirou suas comprinhas e a cadela, atravessou a rua e se pos a estudar a situação, pois, só depois do alarme tocar é que se apercebeu que o carro "esquisito" era um Voyage, também, prata, que ficou aberto, por óbvio!

Nos seus lindos saltos, ela sacudiu os ombros, encontrou o seu Gol alguns metros adiante. Antes que alguem surgisse para saber o que se passava ela tratou de ligar o carro e sumiu!


O susto foi tão grande que ela desistiu da carreira de puxadora de carros alheios.
Ficou no anedotário da familia, é claro.

Fez três anos que ela se despediu de nós no dia 15 de fevereiro de 2008. Dona Elza, aquela que me fez sofrer, deixou um vazio em cada um com quem conviveu.

Bjkª. Elzamaria
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

PostHeaderIcon Coisas de meu marido




Sábado, de BH:
- Beeeeeeeeeeeem, vou para o sul na 2ª feira e ficarei 3 dias, depois, na 6ª feira viajo para casa e fico 15 dias... Tou gripado. Não vou a médico por aqui, não! Não conheço ninguém e quero ir para minha casa.

- Homem, você passará 3 dias viajando. Vá a qualquer pronto socorro por aí e trate-se para essa gripe não virar uma pneumonia!


Claro que ele não foi ao médico e claro que a gripe piorou!


4ª feira, de Florianópolis:
- Beeeeeem, estou me sentindo mal. Meu nariz escorre sem parar e tenho uma tosse seca. Tenho que ir para BH daqui de Floripa, mas eu quero ir para casa. Estou tão cansado... Acho que passarei o final de semana em BH.

- Então eu vou ficar com você. Deixo o Baltazar no hotel; a Cecilia cuida da Thelma Louise. Eu viajo na 6ª feira e passo o final de semana com vc. Levo roupas limpas para vc e mandamos lavar algumas outras. Embarco no domingo, de avião, de volta para casa.

Após a pesquisa de preços e cálculo das despesas:

- Fica mais caro eu ir de ônibus e voltar de avião, mais a despesa do Baltazar no hotel do que vc vir e voltar de avião. Venha de avião e passe o final de semana em casa. Levo você ao médico para cuidar dessa gripe. Trate de vir embora, amanhã. Vc está cansado, viajou 3 dias sem parar e está com gripe. Quer outra endocardite?


5ª feira, pela manhã, de BH:
- Beeeeeeeeeeem, não posso ir hoje ... Vou pensar se pego o avião. Tou cansado. Fica muito caro ir de avião ...
- Marido, deixe depensar em dinheiro e pense na comodidade e na sua saúde. Largue o serviço e venha se tratar. Tou cansada de ouvir vc reclamar de dor no corpo e nariz escorrendo! Dissesse que não tem esse dinheiro, bolas!

À tarde:

- Beeeeeeeeeeeeem, acho que não vai dar para eu ir, hoje. Tenho muito serviço para fazer. Tou pensando em ficar aqui, por que tenho que retornar no domingo e estou muito cansado. O pior é que estou sem carro e com toda roupa usada. Puxa vida, ficar 21 dias longe de casa é muita coisa. Tou com saudade de você e dos bichos. Essa gripe não me larga.

- Os tais 15 dias aqui, comigo, já viraram fumaça? Pegue um carro da companhia e leve a roupa para a lavanderia, ora! Agora não dá mais para eu ir. Tenho compromisso fora de São Paulo na 6ª feira. Visitarei um cliente.

À tardinha:
- Beeeeeeeeeeeeeeeeem, eu vou sim. Quer dizer, estou pensando ... não sei se poderei ir nem na 6ª. Acho que farei viagem internacional nessa semana que entra. Vou tentar resolver por Brasilia para não viajar, mas não sei se dará certo. Devo embarcar na 4ª feira, no máximo! Tá, o passaporte está em ordem.

- Vc deve embarcar por São Paulo ou pelo Rio. Venha para casa, e fique aqui até o dia de embarque. Cuide dessa gripe. Traga o leptop e faça as propostas por aqui. Venha de avião para não ser tão cansativo!

À noite:
- Beeeeeeeeeeeeeeeem, acho que vou na 6ª, de carro ... não posso fazer isso com meus companheiros e deixá-los sozinhos. Não vou voar. Volto no domingo. com eles, de carro Quer saber, acho que não vou.


6ª feira:
Depois dessa indecisão, eu tratei de seguir minha vida. Peguei meu carro e fui até outro município da grande São Paulo para atender um cliente. A bateria do celular acabou, mas, mesmo que não acabasse, lá, não tem sinal, de forma que, fiquei fora do ar o dia inteiro.Reunião longa e proveitosa. Levei o Baltazar para meu cliente conhecer, a convite. O cão se divertiu na fábrica pois, teve espaço para correr feito um doido. Comeu grama a não mais poder. Meu cliente o adorou e ambos se divertiram. Exaustos, chegamos em casa por volta das 16 horas.


- Miga, venha jantar conosco. Cadê o marido?

- Juro que não sei. Não me ligou o dia todo e nem imagino se está a caminho ou se decidiu ficar por lá. Aceito seu convite porque não estou com a menor vontade de cozinhar para mim e menos ainda, de ficar mais uma noite sozinha. Quero ver os cachorrinhos, também. Levo a sobremesa, tá?


Depois do jantar:
- Beeeeeeeeeeeeeeemmmmmmmmmmmmmmmmm, já estamos em Pouso Alegre!!!!!!!! O que vc tem? Tá com a voz esquisita!


Eram 21h30min quando chegou em casa mais magro, com a cara mais feliz do mundo, como se não tivesse me deixado insegura e possessa, sem a menor idéia do que estava acontecendo!

Agora, dorme como um anjo e já me arranjou obrigações para o final de semana e nem pensar em teatro, cinema, alguma exposição de arte ou visita a qualquer amigo...

Bjkª da Elza
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

PostHeaderIcon Eclipse


Nem vi a lua, ontem.
Estava no Babbo Giovanni comendo pizza com uns primos.
Contento-me com as fotos.
Bjkª. Elza
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

PostHeaderIcon Outra perda








Desta vez uma tia. Cunhada de meu Pai.

Meu tio foi estudar no Rio de Janeiro por volta de 1.940. Deixou os pais no interior de São Paulo e, com a cara e a coragem, enfrentou todas as dificuldades de um moço pobre na, então, Capital da República.

Morou na casa de uma familia que alugava quartos para ajudar nas despesas, onde conheceu Wilma, mocinha, linda e charmosa. Era 9 anos mais nova que ele e sucumbiu aos encantos do futuro engenheiro. Aos 16 anos tornou-se esposa dele e veio embora para outro Estado.

Só voltou a ver sua terra natal como turista e depois do passamento dos Pais, não retornou e deixou de acompanhar a evolução do bairro de Copacabana onde morara. Nunca mais viu o mar.

No mundo caipira ela se acomodou, amoldou e foi feliz. Adorava Itapetininga e sempre desejou retornar àquela cidade onde pariu alguns de seus filhos e criou todos.

Passou a usar aquele sotaque próprio do paulista interiorano e esqueceu-se de arrastar os esses e erres. Teve 5 filhos e 6 netos num casamento que durou 61 anos.

Veio para a Capital muitos anos atras e com essa vinda, chegaram a tristeza e a depressão. O desejo de voltar para o interior, para a cidade onde se encontrou e foi feliz era maior do que as comodidades e as necessidades da familia. Todavia, ficou e sofreu.

O coração começou a falhar. Emagreceu e minguou.

Despediu-se de nós no domingo e optou pela cremação.

Tia Wilma, muito querida, deixou um buraco dentro do meu peito.

Bjkª. Elza
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

PostHeaderIcon O tempo







Minha querida amiga Barbara me pediu para contar a história do tempo, aqui no blog.



Por mais incrível que possa parecer, faz tempo que contei a história por aqui, mas já não sei se foi nesse blog ou naquele do UOL onde posto, de tempos em tempos...


Vamos lá:

Certa vez, uma pessoa me perguntou quanto tempo levaria o processo para chegar ao final e ele receber o dinheiro que estava pleiteando.
Ingênuo porque as coisas da Justiça tem andamento próprio e, de forma geral, bastante lento.
Assim, sem ter resposta firme e explícita para ele, usei de uma poesia recitada por meus antepassados e, da qual, não sei a origem, para lhe dizer o que queria:


Recitei para ele:

O tempo perguntou pro tempo


o tempo que o


tempo tem.


O tempo respondeu pro tempo

que o tempo que o tempo tem,

é o tempo que lhe convém.

Quase apanhei !

Bjkª. Elza
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

PostHeaderIcon Existe inferno astral?


Tem astrólogo que diz que inferno astral é o período que antecede o aniversário e nele pode acontecer de tudo. Uma coisa assim ... o bicho tá solto ... sabe como é?


Por outro lado, tem astrólogo que diz que isso é bobagem e que não existe coisa alguma e que é invenção ...

Como não sou astróloga e nem conhecedora da materia, digo que ao que me consta, ele existe, mas apenas nos 30 dias que antecedem o aniversário.

Bom, acho que meu aniversário foi antecipado esse ano, pois, desde que começou essa história de luz no fundo do tunel que não tenho paz e, para completar o enredo, está começando um final de semana frio, chuvoso e solitário. Ele ficou em BH e só voltará na próxima 6ª feira para ficar 15 dias.

Desde que comecei a blogar procurei não divulgar a data oficial do meu nascimento, mas desa vez revelo: 17 de março, tá? Sou pisciana com ascendente em aquário. Sei que o simbolo do signo não é esse,mas achei lindos esses exemplares.

Bjkª. Elza